Multiversos


Domingo, 10 de Agosto de 2008

Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas.

Publicado em 2007 pela editora Planeta, pelo jovem autor estreante e roteirista Raphael Draccon, um livro que prometeu criar um universo que resgatasse o espírito juvenil da série animada cultuada nos anos 80, Caverna do Dragão. Cabe aos leitores conferirem, mas em minha opinião, o livro oferece um outro tipo de estória, divertida, sombria e instigante e que destrói e reconstrói personagens familiares ao nosso imaginário coletivo.

Como Raphael Draccon furou a fila.

Soube deste livro através de uma divulgação na Internet, há alguns meses. Chegando ao site oficial de divulgação da obra, pensei: "mais um autor de Fantasia Nacional conseguindo publicar... Que bom! E, é claro, mais um livro para minha concorrida fila de leitura". Como de costume, fiz minhas malas para participar do EIRPG e especialmente do Fantasticon. Minha primeira atividade no evento foi participar de encontro do GELF, Grupo de Estudos de Literatura Fantástica, presidido pela criadora do GELF, a carismática escritora Rosa Rios. O tema foi "Contos de Fadas: Arquétipos e Fantasia através dos séculos" e fizemos leitura e discussão de textos relacionados a contos de fadas. (para detalhes, nada melhor que ler o relatório no Blog da Rosana). Acontece que o quinto texto, era justamente extraído o livro Dragões de Éter e os comentários da Rosana foram responsáveis pela "furada de fila" da obra do Raphael. Assim, saí do evento com uma cópia adquirida que já comecei a ler durante minhas férias, tendo passado por São Paulo, Ubatuba e Paraty.

O Livro

Dragões de Éter – Caçadores de Bruxas - se passa em uma terra fantástica chamada Nova Ether, um mundo sem deuses, mas repleto de Semideuses e suas criações: Homens, trolls, anões, fadas boas e fadas corrompidas. Estas últimas ao ensinaram os segredos de magia negra às mulheres, deram origem às temíveis bruxas. Não há um protagonista na narrativa de Draccon, exceto talvez o próprio narrador, que participa ativamente da estória, abusando de seus “super-poderes” de contador de estórias, procurando sempre deixar narrativa mais instigante.

O livro é dividido em três atos e é composto por uma seqüência de capítulos curtos, o que facilita a leitura, mesmo quando se está com pouco tempo. De forma sempre alternada, somos introduzidos aos principais personagens da trama: Ariane Narin, os irmãos João e Maria Hanson, os também irmãos, príncipe Axel Branford e Anísio Branford, o pai destes, o Rei Primo Branford e mais uma dúzia de figuras importantes da cidade de Andreanne, capital do reino de Azarllum. Bom, você poderia dizer, e daí? O que este livro tem de ruim, ou de bom? Bem, eu diria, vamos por etapas.

Novos contos de Fada que ora surpreendem e ora dão arrepios

Com poucos minutos de leitura, começamos a perceber, além da personalidade forte do narrador, a grande sacada desta estória. A reutilização e reformulação de personagens dos contos de fada, tais como Chapeuzinho Vermelho e o infame pirata Capitão Gancho. Além disso, há criação de novos personagens baseados no contexto de histórias de fada e outras referências da cultura pop, como jogos da série japonesa Final Fantasy. Raphael constrói com habilidade uma trama de relações entre tais personagens dando uma perspectiva menos idealizada, algumas vezes explicitando a maldade, crueldade e repugnância de seus vilões, que é usualmente mascarada e atenuada nas versões politicamente corretas de contos de fadas aos quais nos acostumamos a ver, talvez uma conseqüência da divulgação de muitos destes contos pelas animações da Disney. Em contraposição aos contos em que a morte da mãe do Bambi constituiu elemento polêmico, bruxas cruéis e piratas sanguinolentos são vilões que habitam e ameaçam a paz do reino de Arzallum e suas personagens.

Pela estrada afora, eu vou bem sozinha! Levar estes doces para a vovozinha.

Outro aspecto divertido da narrativa de Draccon, é um realinhamento lógico de acontecimentos dos contos de fada. Por exemplo, tomemos a história de Chapeuzinho Vermelho. Que mãe mandaria sua filha de nove-dez anos, atravessar uma floresta potencialmente perigosa, habitada por lobos famintos? O que uma velha senhora de idade faria morando numa casa no meio de tal floresta? Por que o lobo, tendo a oportunidade de encontrar-se com a menina, desprotegida nesta trilha, não a devoraria? Por que e iria esperá-la na casa da vovó? E quem ficaria dando explicações para tais fatos? Afinal, é apenas um conto de fadas, ora bolas! A resposta: Raphael Draccon, que se propõe a responder tais questões, sendo este um dos fatores de boa diversão contida no livro.

Adiante, o que vem?

Sinceramente não sei como está sendo a receptividade da obra de Draccon pelo público. E devo dizer, por tratar-se de uma mistura de elementos e estilos, alguns leitores poderiam não se identificar com a obra. Afinal, há momentos em que o livro parece voltado para um público adolescente, em contrapartida, há momentos em que o autor não demonstra misericórdia. Como quando os vilões aparecem para fazer seu papel, e como mencionei, a crueldade e maldade de seus atos não é mascarada. Assim, temos a contraposição de capítulos leves com romance, bom humor e ação de violência moderada, com alguns momentos na trama que classificaria como no mínimo: sombrios.

Para terminar, gostaria de ressaltar o fato de que a publicação um livro de Fantasia, da envergadura de Dragões de Éter e suas 420 páginas, por um autor estreante, em nosso país, já é por sim um grande feito.

Em segundo lugar, se forem apontados problemas ou críticas ao autor, não deixaria que isso fosse impedimento para seguir em frente. Aprendi isso quando tive uma oportunidade de contato com o incrível autor inglês, Brian Talbot, numa oficina sobre a criação de roteiros visuais para histórias em quadrinhos. O que me marcou, foi uma amostra que autor trouxe de sua primeira obra publicada. Era de fato, um trabalho bem simples se comparado com as obras maravilhosas que o Sr. Talbot vem publicando nas últimas décadas. Quando começou, não dominava todas a as técnicas, mas nunca desanimou e seguiu em frente, para tornar-se um grande autor.

Vejo em Dragões de Éter essa mesma semente. Raphael se apresenta como autor, narrando uma trama complexa, com personagens interessantes e um mundo de fantasia inspirado em contos de fada, vídeo games e cultura pop. Uma boa diversão para aqueles que se identificam com releituras de personagens e estórias de fantasia. E como história bem construída, tem seu clímax no terceiro ato, o ponto em que passei a gostar do livro e relevar meu desejo secreto para que um dos personagens da trama fosse morto: o narrador. Quem sabe no próximo livro?

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Sábado, 5 de Abril de 2008

Surpresa em lançamento de livro


Nesta quinta-feira 03/04, tive a oportunidade de presenciar algo especial e diria, incomum. Um lançamento de livro de fantasia, de autor brasileiro e estreante que foi um grande sucesso. Trata-se do livro VEYENOR - A VINGANÇA DE KHAOS, de Marcelo Lacerda, editado pela editora Leitura.

Quem me deu a dica, foi o irmão do autor, um colega de trabalho. Fui lá para adquirir o livro e fazer contatos, afinal, há uma editora na minha cidade editando autores novos do gênero de fantasia, tudo a ver com meu trabalho aqui.

Mas lá, me surpeendi ao encontrar uma legião de crianças, fãs de carteirinha do autor, fazendo fila para ter o livro autografado. Marcelo é mesmo uma pessoa carismática e vem trabalhando com crianças há um bom tempo e penso que seu livro é um subproduto deste trabalho. Há alguns anos ele criou um jogo chamado Guerra dos Anéis, que é uma espécie de RPG coletivo para grupos de mais de 20 (festas) até mais que quatrocentas crianças (como no caso das vezes em que o jogo ocorreu durante colônias de férias).

Com isso, durante as 12 horas do dia em que o livro foi lançado, este vendeu 474 cópias. Um número de se respeitar, pois até mesmo o último livro da série Harry Potter, vendeu no lançamento na mesma livraria 168 unidades.

Eu mesmo adiquiri um e digo que foi um livro muito bem produzido. Ainda não tive chance de ler muito, mas sei que seu conteúdo despertou o interesse de muitos meninos e meninas. Uma lição no quesito inovação para criar e promover estórias. Fica meu reconhecimento ao Marcelo por sua façanha e que seu trabalho abra mais espaço no mercado nacional para a literatura de fantasia!

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Segunda-feira, 9 de Julho de 2007

Ida ao XV EIRPG

Primeiro ficam meus parabéns para os organizadores do evento. Este ano estava de fato bastante completo, com muitos stands bacanas, torneios, palestras, mostras, etc. Tudo muito bem organizado e funcional.

Além disso, a grande surpresa foi a Fantastion 2007. Evento paralelo que rolou no qual participei bastante.

Participei da oficina, O que é literatura fantástica, com escritora Rosana Rios. Fiquei pessoalmente impressionado com a palestrante que fez uma exposição clara e linear a respeitor do tema proposto. Ainda tivemos de bônus um divertido jogo de criação literária. Nosso grupo ficou o desafio de juntar um Klingon e uma sereia, numa aventura no Condado... O resultado foi surpreendente.

Depois tive a chance de bicar o encontro presencial do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica). O encontro coordenado pela mesma, Rosana Rios, foi bastante proveitoso. Fizemos um estudo sobre os limites entre a realidade e magia baseado em um trecho da obra de Terry Pratchett. Depois desta bicada, fomos convidados a participar no grupo. Passei a integrá-lo a partir de hoje e estou animado com as possibilidades.

Assisti também a palestra: A herança sobrenatura: do gótico à ficção científica por Adriana Amaral.

Neste dia ainda assisti ao divertido filme Gamers.

No dia seguinte ouvir o bate papo entre os editores Douglas Quinta Reis (Devir), Adriano Fromer Piazzi (Aleph) e Giulia Moon (Scarium) foi muito instrutivo. Ajudou a entender melhor algumas relações do mercado editorial, no qual ainda estou engatinhando.

Após a palestra, Dragões: Mitou ou Realidade?, assisti a mesa-redonda: Como transformar uma idéia em uma boa história. Foi muito bom! Os debatedores e escritores, André Vianco, Martha Argel e Giulia Moon foram fantásticos. Para mim, fecharam o evento com chave de ouro.

Em resumo: ótima organização e programação. Só lamento não ter tido a chance de ver tudo. Havia muitas coisas simultâneas e interessantes que forçavam uma escolha.

E se você nunca foi a um Encontro Internacional de RPG, fica minha dica: não perca o próximo!

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Selo Multiversos Editorial 2007